sexta-feira, 22 de maio de 2015

DA MELANCOLIA DE QUE FALAMOS, RODRIGO MEDEIROS. E DAS COINCIDÊNCIAS. MEU ÚLTIMO POST, EM 2013, FALAVA DO CASSINO. COMO SE ALGO ME DISSESSE QUE PRECISAVA VOLTAR. E CÁ ESTOU!

A praia do Cassino, além do mar, tinha cheiro de maresia e peixe no ar. Tinha milho cozido entre um mergulho e outro, gente bonita e bronzeada pra quem olhar e por quem ser olhado. Praia das dez às quatro da tarde. De branco no corpo, só olhos e dentes. E a gente não precisava se besuntar com protetores solares. Do buraco na camada de ozônio nem se tinha notícia. Muita vitamina D, sim senhor...da melhor. Buracos a gente fazia na areia, catando mariscos. E uns castelos impressionantes que depois a onda levava.
As tardinhas e as noites eram de sonhos na avenida. Lá a gente encontrava todos os amigos e também os olhares de canto de olho. Ouvíamos música da boa e ríamos à toa. A volta pra casa a pé, em turma, a emoção a flor da pele, dormir pensando, tudo fazia parte do encantamento.

Acordar cedo com a voz estridente do vendedor de camarões, carregando aquela caixa de isopor - Camareão! Olha o camareão dessscassscado!
Depois do almoço a gurizada em fila pra ganhar o picolé de fruta, que ainda nem era kibon, mas a gente adorava. Outros dias eram de quindins e ninhos, comprados na carrocinha do velhinho simpático, em frente à igreja.
Nas férias a casa se enchia de primos, amigos dos irmãos e amigos dos amigos dos irmãos, além dos nossos próprios.
A primeira vez que ouvi Beatles foi lá. O primeiro namorado também. A primeira choradeira ao acabar um namoro, as paixões platônicas, muita coisa foi lá. 

Tempos de sonhar acordada.
Tem este gosto quando a gente anda por aquelas ruas.
O Cassino é tudo isto e muito mais.
Por isto a melancolia boa.

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